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no quarto escuro

eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
à meia-noite, à meia luz
(guilherme arantes)

no quarto escuro não importa
se lá fora faz calor ou chuvinha
se são os zumbis ou as crianças da vizinha
às vezes dá na mesma
viver antes ou agora

nada existe no quarto escuro
se abrisse as janelas veria o cerrado
ou a caatinga ou o livro de geografia
aberto na página setenta
sobre a mesa onde está o quarto

ou então nada disso
veria londres ou nova iorque
grampeadas a um folheto de intercâmbio
aos pratos e bebês chorando
com molho vermelho pingando dos cantos

felizmente o quarto continua seguro
cobertores e travesseiros garantem em coro
que dá até pra mudar de nome no quarto escuro
na semana passada meu sobrenome era outro
e as horas de sono chegavam a 28

no quarto escuro não importa
se as janelas não são abertas há um ano
se é chuva de vento ou a tempestade do século
se lá fora você anda sem sombrinha
e vai acabar morrendo de pneumonia
por negligência minha

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a pior das conexões

até parece o horizonte
o papel de parede uma tela pintada
quando você vem surgindo

a gente vê no mesmo horizonte
o outro saltando e correndo num esporte
que envolve quedas e partes cortadas

na paisagem todas as perguntas interrompidas
eu querendo saber a sua cor preferida
você levantando e caindo como fruta

corro pra oferecer água da torneira
não sobra nada se um de nós
não volta

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